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custeio por actividades    Benvinda(o)! 

1. O que é o ABC?

2. Necessidade de implementação.

3. Qual a origem do método ABC?

4. Conclusão.

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2. Necessidade de implementação

A distorção no custo dos produtos ocorre em quase todas as organizações que vendem uma multiplicidade de produtos e serviços.

Para compreender porquê, vamos considerar a existência de duas hipotéticas fábricas, que produzem um único produto: lápis

As duas fábricas são do mesmo tamanho e dispõem do mesmo equipamento. Cada ano, a Fábrica I produz 1 milhão de lápis azuis enquanto que a Fábrica II só produz 100.000. De forma a explorar toda a sua capacidade, a Fábrica II também produz 60.000 lápis pretos, 12.000 vermelhos e 10.000 verdes. Num ano típico a Fábrica II produz cerca de 1000 variações de produto com volumes entre 500 e 100.000 unidades. Desta forma a sua produção anual é igual à da Fábrica I, utilizando o mesmo número de horas de trabalho a custo standard, horas máquina e matérias primas.

No entanto, apesar das semelhanças em termos de produto e produção total, um visitante de ambas as fábricas notará diferenças significativas entre elas. A Fábrica II terá muito mais pessoal de suporte - mais pessoas para o planeamento de produção, para a realização do "setup" das máquinas, para a realização de inspecções ao produto, para preparar e expedir as encomendas, para movimentar os stocks, para recuperar produtos defeituosos, para negociar com vendedores,..., e um muito mais sofisticado sistema de informação. Esta fábrica opera também como muitos mais tempos de paragem, de horas extraordinárias e de recuperação de elementos defeituosos. Todos estes recursos e ineficiências adicionais geram distorções significativas no apuramento dos custos.

Muitas empresas distribuem os custos de suporte em dois passos. Primeiro, agrupam os custos em categorias correspondentes a centros de responsabilidade (centros de custos, como o Controlo de Produção, o Controlo de Qualidade, ...) e afectam estes custos aos respectivos departamentos. Normalmente, este passo é correctamente executado. Mas o segundo passo - afectar os custos a partir dos departamentos aos produtos - é realizado de uma forma simplista. Muitas empresas ainda utilizam o número de horas de trabalho de imputação directa como a base preferencial de afectação. Outras, reconhecendo o declínio na importância do número de horas de trabalho directo como base de afectação utilizam outras duas medidas. Despesas directamente relacionadas com materiais (custos de compra, recepção, inspecção, e stockagem) são afectos aos produtos como uma percentagem dos custos destes mesmos materiais. Em ambientes muito automatizados, são utilizadas para distribuir custos de produção, horas máquina ou de processamento.

Quer a Fabrica II utilize uma ou todas estas abordagens, o seu sistema de custeio invariavelmente - e erradamente - apresentará custos para o produto lápis azuis excedendo largamente os apresentados pela Fábrica I. Não é necessário conhecer muito acerca do sistema de custeio ou do processo de produção da Fábrica II para verificar que os lápis azuis, que representam cerca de 10% da produção, terão afectos cerca de 10% dos custos de produção. Da mesma forma, os lápis verdes que representam 1% da produção terão afectos cerca de 1% dos custos de produção. De facto, se o custo standard por unidade de horas de trabalho directo, horas máquina e quantidade de matérias primas for o mesmo para lápis azuis e verdes, sendo estes muito menos encomendados, produzidos, embalados, e expedidos então deverão consumir muito mais "overhead" por unidade.

Pensemos então nas consequências estratégicas deste facto. Ao longo do tempo, o preço de mercado dos lápis azuis, como é o caso das produções em elevados volumes, será determinado pelos produtores focados e especializados, como é o caso da Fábrica I. A gestão da Fábrica II irá verificar que as suas margens na venda dos lápis azuis serão inferiores às conseguidas com os outros lápis. O preço dos lápis azuis é inferior ao dos lápis verdes mas o seu sistema de custeio apresentará os dois tipos de lápis com o mesmo custo.

Ainda que desapontados com as menores margens conseguidas nos lápis azuis, a gestão da Fábrica II está satisfeita por ser um produtor completo e diversificado. Os clientes estão dispostos a pagar um prémio pelos produtos especiais, como os lápis verdes, que aparentemente são tão caros de produzir quanto os lápis azuis. Qual a resposta estratégica lógica? Reduzir a produção de lápis azuis e oferecer uma maior gama de outros lápis.

Na realidade, esta estratégia será desastrosa. Os lápis azuis na Fábrica II são mais baratos de fazer que os lápis verdes - independentemente do que apresenta o sistema de custeio. A redução da produção de lápis azuis e a adição de novos modelos só fará crescer os custos de "overhead". A gestão da Fábrica II começará a aperceber-se que os custos totais crescerão enquanto que os lucros tardarão a aparecer. 

Um sistema de custeio com base nas actividades não gerará informação distorcida nem sinais contraditórios.

 

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