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“Knowledge
Management” não é uma nova tecnologia, embora use tecnologias. As empresas não
irão ao mercado comprar sistemas de gestão do saber, tal como não vão
comprar sistemas de fluxo de trabalho! As organizações usam o “workflow”
para construir sistemas de concessão de crédito, de contas a pagar ou de
processamento de participações; do mesmo modo irão usar o “knowledge
management” para organizar, codificar e disseminar o saber escondido
nos documentos e registos e principalmente a experiência e perícia
acumuladas nas pessoas: o seu capital de saber. Fá-lo-ão para suportar a sua
força de trabalho e propiciar aos decisores o conhecimento de que necessitam
para atingir os objectivos da empresa. Muitas das tecnologias que
actualmente empregamos serão usadas para gerir o saber corporativo. A
diferença estará no modo como irão ser usadas.
Definir
o “knowledge management”?
Antes de o tentar, talvez seja melhor
esclarecer o que se entende por saber. Saber é a informação na mente das
pessoas, consciente ou não, em que estas se baseiam para tomar decisões em
contextos desconhecidos. O saber
transiente ou adormecido pode estar armazenado, em papel, em formato electrónico;
mas para ter valor tem que ser captado e aplicado pelos já chamados
“knowledge workers”. Portanto, o papel da gestão do saber é essencialmente
o de ligar dois nós da rede: os que têm o saber e os que o procuram.
Uma definição mais formal poderá ser a que é avançada por Carl
Frappaolo (Delphi Group): “Knowledge Management” é
um conjunto de ferramentas para a automatização das relações dedutivas ou
inerentes entre os utilizadores, os processos e os objectos de informação.”
O saber existe sob duas formas: explícita e tácita.
O saber explícito é facilmente codificado e transmitido. O saber tácito, é
em grande parte baseado na experiência pessoal, é subjectivo e difícil de
transportar. O maior desafio que o saber explícito nos coloca é o controlo do
seu volume para assegurar a sua relevância: a sobrecarga de informação e a
dificuldade de a filtrar têm até agora absorvido grande parte do esforço das
organizações. Mas cada vez mais estas começam a aperceber-se que numa arena
em que a sobrevivência depende da inovação e esta se baseia na criatividade ,
a gestão do saber tácito tornou-se estratégica. E o maior desafio que esta
coloca é a formulação desse saber numa forma comunicável.
Um
roteiro para o “knowledge management”?
Segundo o Delphi Group, são 5 as funções
chave da gestão do saber, com base num modelo que vê o papel do “Knowledge
Management” sendo o de promover a partilha do saber através da organização
de maneira que cada indivíduo ou grupo a entenda com profundidade suficiente
para a aplicar eficazmente na tomada de novas decisões.
Essas 5 funções são:
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Intermediação |
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Exteriorização |
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Interiorização
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Cognição
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Medição
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Qual
o papel das tecnologias?
As soluções de “Knowledge Management”
consistem na combinação e melhoramento de tecnologias existentes. As organizações
utilizam já hoje várias das tecnologias que as podem ajudar no seu esforço
para a gestão do saber. Evidentemente a Gestão Documental, o Workflow, o
Groupware, as ferramentas de Indexação, os Sistemas de Pesquisa...; mas é
interessante notar que os grandes fornecedores de sistemas operativos como a
Microsoft, a IBM/Lotus e a Netscape anunciam a incorporação de ferramentas
chave de “Knowledge Management" nos
seus produtos.
O Delphi Group desenvolveu uma metodologia para
identificar os componentes tecnológicos necessários a cada função.
No que respeita à Intermediação, o foco
incide sobre as ferramentas de Groupware e Workflow, Intranets, ferramentas de
pesquisa (texto integral ou outras).
As tecnologias para a Exteriorização incluem
as que captam e organizam a informação: imagem, gestão documental.
Às tecnologias de Interiorização cabe
extrair e filtrar a informação do repositório externo ; a maioria são
motores de pesquisa, agentes de “data warehousing” que vão mais além da
pesquisa baseada na palavra para o terreno de “data mining” com pesquisa
baseada no conceito e na heurística.
São poucas as tecnologias na categoria da
Cognição; são evidentemente os “expert systems” ou soluções com algum
componente de inteligência artificial.
É importante não esquecer que dentro de cada
uma destas categorias de funções existe espaço para outras ferramentas e
tecnologias mais tradicionais como o microfilme e evidentemente a conversa!
E não se deve cair no excesso de simplificação
e considerar a gestão do saber como uma mera colecção tecnológica. Uma solução
de “knowledge Management”, ainda segundo o Delphi Group tem de ser:
-
Sensível
ao contexto: deve entender o contexto da procura para organizar as respostas
(por exemplo, distinguir a “reprodução” de documentos da “reprodução”
das espécies.
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Sensível
ao utilizador: ou seja adaptar a informação disponibilizada ao perfil de
conhecimentos de quem procura
-
Flexível:
deve poder tratar conhecimentos em qualquer forma, incluindo diferentes
estruturas e meios
-
Heurística:
deve aprender quer com a informação que possui e o modo como é usada, quer
com os seus utilizadores ; por exemplo adaptando as respostas aos padrões de
procura
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Sugestiva:
deve deduzir necessidades do utilizador e sugerir-lhe associações que ele não
tenha feito
Finalmente, a tecnologia terá um papel cada
vez mais relevante na gestão directa do saber explícito e, ao assumir muitas
das tarefas repetitivas do presente, libertará as pessoas para se focarem nas
actividades intensivamente baseadas no saber que requerem, inevitavelmente, a
compreensão e a intervenção humanas.
As soluções tecnológicas só são bem
sucedidas quando perfeitamente em simbiose com as pessoas que as usam.
“Knowledge Management” não é um sistema, uma "commodity", um
"widget", uma
caixa preta que se desembrulhe, ligue e comece a trabalhar. “Knowledge
Management” é uma cultura, uma maneira de proceder, um ambiente operacional
que é potencializado pela aplicação orquestrada de pessoas, processos de negócio
e tecnologias. Afinal como muito bem sublinhou Thomas Koulopoulos (Delphi Group),
a gestão do saber já existia nos tempos de Éfeso, quando os cidadãos se
sentavam discutindo e partilhando conhecimentos sobre as questões mais
importantes do dia na
requintada latrina multi-utilizador do centro da cidade.
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