e-Segurança – Preparados?
in
Semanário Económico, nº 875, 17 de Outubro de 2003
Actualmente, qualquer empresa tem de estar extremamente atenta a todas as
possíveis fontes de insegurança.
Todas as
empresas lutam por conseguir vantagens competitivas sobre os seus concorrentes.
Atrair novos clientes, manter os actuais, reduzir custos de exploração, etc.,
são algumas de entre as muitas actividades que podem permitir a obtenção de
vantagens competitivas. No entanto, após a obtenção de uma determinada posição
no mercado é preciso continuar a trabalhar arduamente na sua consolidação e não
deixar que se esfume em pouco tempo o que consumiu tantos recursos e levou tanto
tempo a atingir.
Uma das
mais vulgares, e rápidas, situações que levam uma empresa a perder quota de
mercado, tem a ver com a forma como protege a sua propriedade fundamental –
Informação -, sobre clientes, fornecedores, produtos, preços, campanha de
marketing, etc.
Devido
aos mais recentes desenvolvimentos tecnológicos, nomeadamente os relacionados
com sistemas de informação e de telecomunicação, o mundo actual é cada vez mais
“virtual” e menos “real”. Hoje em dia, são cada vez mais as empresas com
processos de negócio que extravasam as suas fronteiras “físicas”. Hoje, passou a
ser, não só obrigatório manter uma presença na internet, mas crítico para o
futuro de qualquer organização. Para muitas empresas o e-business é o meio usual
(e por isso muito crítico para a sua continuidade) de fazer negócio. Procuram
explorar melhor a sua relação com clientes, com fornecedores, com accionistas,
com empregados, com os cidadãos, com o próprio estado ou estados, enfim, de uma
forma geral com todo o eco-sistema (“stakeholders”) que as rodeia.
Com o
aumento do número de aplicações ou sistemas informáticos que têm de utilizar
canais exteriores, como a internet ou o e-mail, a maior parte das empresas
aumentaram substancialmente o seu nível de exposição ao exterior. Quanto maior o
número de “portas” que comunicam com o exterior, maior a probabilidade de que
por essas portas entrem “convidados” desejáveis e indesejáveis. Pode entrar boa
informação, mas também pode ser extraída informação confidencial. Para resolver
os primeiros problemas de segurança chegaram os Anti-Vírus, a que se juntaram
posteriormente o “Firewall”, o “Privacy Service”, o “SpamKiller”, o “Anti-Hacker”,
etc.
Por
outro lado, no passado, a maior parte das transacções eram realizadas com base
em activos tangíveis e concluídas de uma forma relativamente directa entre
produtor e comprador. A conversão do produto em informação efectuava-se no
mercado (feira), quando quem queria comprar procurava conhecer as
características dos produtos à venda. Hoje, os próprios produtos já não são
físicos, estão na forma de informação (veja-se o caso do software) e a
vitalidade de qualquer negócio depende basicamente da fiabilidade e rapidez de
acesso e de tratamento de informação. Agora pense-se no impacto que pode ter a
tomada de decisões se estas tiverem por base informação não fiável. Pois é, a
empresa está em “maus lençóis”.
Com a
abertura das fronteiras virtuais e com a mudança nas características da troca,
toda e qualquer transacção pode ser afectada se não for realizada de uma forma
segura. Mas o mais grave é que a credibilidade de uma empresa pode ser
seriamente debilitada senão proteger toda a sua informação de uma forma séria.
Não basta proteger a informação relativa aos seus clientes, é preciso proteger
toda a informação, pois é esta que dá credibilidade à continuidade do
negócio. Se a sua empresa sofresse uma intrusão nos seus sistemas de informação,
continuaria a confiar na informação que recebe e que o apoia na tomada de
decisões? Neste enquadramento, considera os custos de protecção da sua
informação uma despesa ou um investimento?
Actualmente, qualquer empresa tem de estar extremamente atenta a todas as
possíveis fontes de insegurança. Por exemplo, hoje são cada vez mais os
processos de negócio que exigem a integração e colaboração de várias empresas
numa mesma cadeia de produção (ou abastecimento). Estas linhas de produção
inter-empresas são, muitas vezes, constituídas por empresas concorrentes, senão
em todas as actividades, pelo menos em parte delas. Estas parcerias, por si só,
são talvez a maior fonte de insegurança para cada empresa. Um parceiro hoje,
pode ser amanhã um concorrente com energias redobradas.
Até
muito recentemente, a maior parte das organizações viam como despesas
necessárias (... uma “chatice”) os desembolsos na aquisição de sistemas de
e-segurança. Viam estes custos como um mal necessário. No entanto, parece que
começa já a perceber-se uma certa mudança de paradigma. Os custos da e-segurança
começam a ser considerados como investimentos estratégicos, o que pode querer
dizer que começa a considerar-se a e-segurança como geradora de valor e de
vantagens competitivas. Esta tendência é mais nítida em duas vertentes da
e-segurança, a Gestão de Identidades e o Controlo de Acessos.
Começa a
consolidar-se a ideia de que uma boa implementação destas duas componentes pode
ajudar uma empresa a diferenciar-se dos seus concorrentes, não só proporcionando
um ambiente transaccional mais seguro, mas também garantindo uma melhor
experiência aos seus clientes. No entanto, não é só o cliente que beneficia,
também se verifica que a produtividade da organização pode melhorar
significativamente. Por exemplo, se um cliente só precisar de identificar-se uma
vez para entrar no sistema (SSO – Single Sign-On), este facto, não só facilita a
gestão de “passwords” e de níveis de acesso, como permite também conhecer melhor
cada cliente, seus interesses, desejos e necessidades. A sua informação deixa
também de estar repartida por várias identidades, o que é muito inconveniente,
especialmente se se quiser fazer “cross-selling” ou mesmo “up-selling”. Passa a
ser possível ter uma base de dados mais fidedigna sobre cada cliente e, desta
forma, perceber melhor as janelas de oportunidade disponíveis para o lançamento
de novos produtos, realização de campanhas de desconto, etc.
Mas
estes não são os únicos benefícios de uma boa Gestão de Identidades e Controlo
de Acessos, existem outros e não menos significativos. Por exemplo, podem
obter-se significativas poupanças através da integração das tecnologias chave de
autenticação, autorização e administração num único sistema. Esta situação, para
além de sustentar a integração e qualidade da informação, permite também a
uniformização de procedimentos que, por sua vez, garantem uma maior consistência
na execução dos vários processos de negócio da organização.
Desta
forma, vemos como crítico para qualquer organização o reformular do seu sistema
de e-segurança como uma peça chave na protecção e reforço da sua posição
competitiva. Na construção deste sistema deve considerar que:
-
Usa software que pode ou não ter sido construído tendo por
base as normas de segurança que permitam a sua utilização confiante em ambientes
“hostis”, como a internet,
-
Estabelece cada vez mais parcerias com, muitas vezes,
concorrentes directos (veja-se o exemplo do mercado automóvel),
-
Pode não ter um quadro procedimental de e-segurança
adequado às suas reais necessidades (quantas empresas definem o grau de
confidencialidade de cada um dos seus documentos?), e
-
Deve procurar centralizar toda a Gestão de Identidades e
Controlo de Acessos, pois só assim conseguirá garantir uma melhor experiência ao
seu cliente, uma melhor recolha de informação e uma menor exposição a intrusões
externas.
Cada
organização deve ter sempre presente que sem um bom sistema de e-segurança pode
desaparecer rapidamente do mercado. Este é estratégico para o seu futuro. A sua
organização está preparada?
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