Medir
o Desempenho
in
Semanário Económico, nº 842, 28 de Fevereiro de 2003
A
medição do impacto das TI no desempenho organizacional apresenta complexidades
adicionais, devido à sua natureza bastante heterogénea.
A medição do desempenho é um assunto bastante complexo,
pois a maior parte das organizações utilizam variadas métricas com os mais díspares
objectivos, não se apoiando em terminologias e abordagens consistentes, e não
estão preparadas ou não têm capacidade para analisar aspectos que, de facto,
possam contribuir para uma efectiva medição do seu desempenho.
A medição do impacto das tecnologias de informação no
desempenho organizacional, apresenta complexidades adicionais, especialmente
devido à sua natureza bastante heterogénea: os computadores são utilizados,
quer para escrever memorandos, quer para armazenar e produzir informação crítica
de negócio, quer para melhorar as comunicações, quer ainda para gerir
processos de produção, etc. A medição do desempenho de actividades tão díspares
não é nada fácil, para além do facto de que as tecnologias de informação
proporcionam benefícios em que é difícil estar de acordo sobre o seu valor,
sendo este muito difícil de quantificar.
No entanto, no mundo actual qualquer organização
encontra-se completamente dependente das tecnologias de informação. É, pois,
fundamental perceber qual a mais valia proporcionada por cada nova iniciativa,
seja ela na vertente de hardware, de networking, de software,
ou de serviços. É preciso tomar consciência, tão rapidamente quanto
possível, do seu impacto no desempenho da organização, por forma a que possam
ser tomadas as melhores decisões, procurando-se evitar ao máximo o consumo
(desperdício) de recursos escassos e valiosos. Assim sendo, todas as organizações
devem preparar-se para efectuar sucessivas e sistemáticas medições ao seu
desempenho.
No entanto não é um processo fácil de implementar, pois
deve ser construído com a colaboração de todos, apoiado pelos vários níveis
de gestão e ser claro e oferecer benefícios tangíveis a cada colaborador. A
sua implementação exige o estabelecimento de métricas que permitam avaliar o
estado de cada iniciativa (projecto), e que potencializem a tomada rápida de
decisões. Mais especificamente,
-
Devem
implementar-se métricas de desempenho quantitativas e qualitativas que permitam
definir prioridades e seleccionar investimentos em TIs com ROI (Retorno do
Investimento) positivo. Como factores de avaliação podem usar-se métricas
quantitativas (ex: ROI ajustado pelo risco), e medidas qualitativas como o grau
de confiança com que se espera que a aplicação venha a melhorar a eficiência
e eficácia de determinado processo de negócio.
-
À
medida que cada projecto prossegue, deve utilizar-se a informação do seu
desempenho para avaliar se o ROI prometido ainda se coaduna com o ROI real. Se
os benefícios prometidos deixarem de ser realistas, deve ser encarada a hipótese
de mudança de âmbito do projecto ou mesmo o seu abandono e encerramento
definitivo (pelo menos com base nos parâmetros conhecidos ao momento).
-
A
informação sobre o desempenho das TIs deve ser integrada nos processos de
construção do orçamento, definição de perspectivas financeiras, e
planeamento e gestão de programas da organização, por forma a que possa
contribuir para a tomada de decisões num contexto operacional mais vasto.
A metodologia que recomendo
seja implementada como base para o processo de medição do desempenho de
iniciativas que envolvam tecnologias de informação é faseada, dividindo-se em
cinco fases fundamentais:
-
Analisar,
Desenhar e Propor Iniciativa,
-
Desenvolver
Métricas de Desempenho e Definir Sucesso,
-
Recolher
Informação e Estabelecer Base de Partida,
-
Avaliar,
Interpretar e Reportar Resultados,
-
Rever
todo o Processo.
1. Analisar, Desenhar e
Propor Iniciativa
Na primeira fase, deve ser identificada a missão, os objectivos,
as estratégias e quaisquer outros factores que possam sofrer impactos
provenientes do novo investimento (iniciativa), qual o problema específico que
vem resolver e a oportunidade que se ganha se o projecto for aprovado. É
fundamental preparar uma defesa sólida dos investimentos necessários ao
projecto, procurando garantir-se a sua aprovação. Deve iniciar-se a elaboração
de um “business case” da iniciativa, que não é mais do que o seu “plano
de negócio”. Será com base neste plano que irão ser avaliados os seus
resultados. Finalmente, deve efectuar-se uma “gap analysis” que identifique
as capacidades disponibilizadas pela actual tecnologia e efectuada a sua relação
com as oportunidades e benefícios esperados.
2. Desenvolver Métricas
de Desempenho e Definir Sucesso
Nesta fase devem ser desenvolvidos os aspectos mais técnicos
e que têm como objectivo definir todas as métricas de desempenho que irão ser
utilizadas e que permitirão caracterizar a definição de sucesso a utilizar no
projecto. As métricas desenvolvidas devem ser sujeitas às seguintes questões
antes de serem efectivamente escolhidas:
-
Esta
métrica é útil para medir o progresso e avaliar o grau de sucesso?
-
Esta
métrica é focada em resultados que os “stakeholders” facilmente
compreendem e apreciam?
-
Esta
métrica é prática, isto é, pode ser fácil e realisticamente implementada?
-
Esta
métrica pode ser utilizada para avaliar a estratégia de forma a determinar
qual o risco envolvido no projecto e se o investimento proposto poderá vir a
cumprir os objectivos previamente estabelecidos?
3. Recolher Informação
e Estabelecer Base de Partida
Nesta fase define-se o processo de recolha de informação. Como
em qualquer projecto, para que venha a acontecer, alguém tem que ser seu
responsável. Esta pessoa deverá organizar e liderar a equipa de projecto que
irá implementar o processo de medição do desempenho. A grande actividade
desta fase prende-se com a preparação do Plano de Recolha de Informação,
onde devem estar respondidas as seguintes questões:
-
Como
é efectuada a medição?
-
Que
restrições se aplicam?
-
Quem
mede?
-
Quando
(com que intervalo) são efectuadas medições?
-
Para
onde são enviadas as medições?
-
Onde
se guardam as medições e quem é o seu responsável?
-
Qual
o custo da recolha de informação?, e
-
Quem
fornece os recursos para a recolha de informação?
4.
Avaliar, Interpretar e Reportar Resultados
Na quarta fase, deve ser efectuada a avaliação das promessas e
custos esperados de cada iniciativa em relação ao efectivamente investido até
ao momento. Esta avaliação permite que sejam efectuados ajustamentos com base
nas lições aprendidas. Nesta fase devem ser respondidas questões como:
5. Rever todo o Processo
As métricas de avaliação de desempenho fornecem
“feedback” ao gestores. Esta informação permite que as suas decisões
tenham um impacto directo no futuro da organização. Se a medida do desempenho
confirmar que corre tudo como previsto não serão necessárias acções
imediatas, caso contrário deverá indicar os pontos críticos detectados. Nesta
fase devem ser respondidas questões como:
-
Confirma-se
que a informação é válida? Qual o seu grau de fiabilidade?
-
Qual
a utilidade da informação recolhida? Foi recolhida atempadamente?
-
Se
os dados indicam desvios em relação aos objectivos, qual a sua origem?
-
É
o desempenho realmente mau, ou foram seleccionados maus indicadores de
desempenho?
-
São
os objectivos mesmo realistas? Tiveram o compromisso de todos ou foram impostos?
-
Se
os dados indicam que os objectivos foram atingidos e superados, esta informação
é compatível com outras percepções da realidade?
-
Que
ajustamentos devem ser efectuados às métricas, dados e base de partida?
-
Que
acções e mudanças permitirão melhorar o desempenho?
Hoje, a sobrevivência de qualquer organização está
totalmente dependente da sua capacidade para efectuar medições
sucessivas e efectivas do seu desempenho. Se não o fizer, não será flexível,
não se adaptará à mudança constante, definhando e morrendo
rapidamente. Meça...
|