As
TI no Sector Público Estatal
in
Semanário Económico, nº 838, 31 de Janeiro de 2003
A
competitividade e capacidade de sobrevivência de uma empresa é afectada pelo
grau de obsolescência dos seus sistemas de informação.
Os
investimentos em Tecnologias de Informação (TIs) podem ter um efeito dramático
no desempenho de qualquer organização. Investimentos em TIs, cuidadosamente
seleccionados, e com um enfoque muito preciso na resposta ás necessidades
exigidas pelo cumprimento da missão da organização, podem “alavancar”
significativamente o seu desempenho, reduzindo ao mesmo tempo custos. Por outro
lado, investimentos pouco cuidadosos, pouco justificados e em que custos, riscos
e benefícios são mal geridos, podem impedir ou mesmo afectar gravemente o seu
desempenho.
Apesar
dos grandes investimentos em TIs, muitas organizações, quer privadas, quer
estatais, continuam a ser gravemente afectadas pela falta de qualidade dos seus
dados e sistemas de informação. Demasiadas vezes os projectos de implementação
de TIs custam demasiado, produzem muito pouco e falham na melhoria do desempenho
organizacional.
A
competitividade e capacidade de sobrevivência de uma empresa é gravemente
afectada pelo grau de obsolescência dos seus sistemas de informação. Pela
mesma razão, a capacidade competitiva de um país é afectada. Em Portugal, se
ao nível das instituições privadas, as exigências do mercado e dos
accionistas tem obrigado a uma aposta sistemática na renovação dos sistemas
de informação, ao nível das instituições públicas, em que as exigências
do mercado e dos “accionistas” não se fazem sentir directamente, não só o
volume de investimentos não tem acompanhado as necessidades do país, como, em
muitos casos, os resultados obtidos com estes investimentos têm sido
tremendamente decepcionantes.
Portugal
está a ser sufocado por algumas leis, mas fundamentalmente, pela falta de
competitividade do seu sector público. Com um sector público obsoleto nunca
será possível a tão falada aproximação à Europa, nem serão 17 razões,
por mais bem defendidas que sejam, que farão com que aumente o investimento (e
não só estrangeiro) no nosso País. É fundamental e mesmo crítico mudar esta
situação. Mas a actuação tem que ser rápida e eficaz, porque senão
arriscamo-nos a que os poucos recursos humanos que este País criou, e que têm
capacidade e motivação para serem os motores desta renovação tecnológica
venham a desaparecer. Com a grave crise que se abateu sobre o sector dos
sistemas e tecnologias de informação, os nossos melhores técnicos estão a
começar a procurar alternativas, especialmente no estrangeiro.
Mas
é preciso mais, muito mais e de mais difícil implementação. É preciso que
todas as instituições do sector público estatal implementem processos que
assegurem que os projectos de TIs são realizados a custos razoáveis, em prazos
definidos de acordo com expectativas ponderadas e que contribuem para uma
efectiva, observável e tangível melhoria do desempenho da organização.
Mais ainda, estes processos devem ser institucionalizados e utilizados
uniformemente em todas as organizações. O objectivo final desta reforma
é o de possibilitar que todas as instituições do sector público tomem decisões
que, efectivamente, permitam a melhoria do desempenho do sector e, por inerência,
do País.
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Portugal
está a ser sufocado por algumas leis, mas fundamentalmente, pela falta de
competitividade do seu sector público. |
É preciso, pois, desenvolver um sistema que permita efectuar a
avaliação sistemática do desempenho de uma instituição no processo de selecção
e gestão de recursos informáticos e que, ao mesmo tempo, permita identificar
novas oportunidades de melhoria, quer por simplificação, quer por automatização
de processos de negócio. Desta forma, é preciso avaliar cada organização a
três níveis:
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Ao nível
dos processos que utiliza na selecção, gestão e avaliação de
investimentos em tecnologias de informação,
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Ao nível
da informação (custos, benefícios e risco) que utiliza para tomar
decisões ao nível das TIs,
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Ao nível
das próprias decisões que são tomadas utilizando os processos e
informação anteriormente definidos.
A
gestão de projectos e sistemas de informação como investimentos será
uma grande novidade no nosso sector público estatal. Apesar de já existir
alguma evidência da utilização de certos aspectos do processo de gestão de
investimentos, não conheço uma única instituição pública em que este
esteja a ser utilizado de forma abrangente e sistemática. As poucas componentes
do processo até agora utilizadas, são-no de forma incompleta e, na maior parte
da vezes, perfeitamente ad-hoc.
Um
processo de gestão de investimentos em TIs, é uma abordagem integrada que
permite efectuar de forma contínua a identificação, selecção, controlo,
gestão do ciclo de vida e avaliação de investimentos em TIs. Este processo
fornece às instituições um método sistemático de minimização de risco e
de maximização do retorno dos seus investimentos. Para ter o maior sucesso, um
processo de gestão de investimentos em TIs deve passar pelas seguintes fases
– selecção, controlo e avaliação. No entanto, cada fase não deve
ser vista separadamente. Pelo contrário, devem ser encaradas como
interdependentes. A informação fornecida por uma serve de suporte à realização
das outras duas.
O
processo de Gestão de Investimentos em TIs, inicia-se com a fase de Selecção.
Nesta fase, a organização determina prioridades e toma decisões sobre que
projectos serão financiados no próximo ano. Estes devem ser seleccionados a
partir de um Plano Estratégico de Sistemas de Informação ou, na falta deste,
deve ser criado um processo de avaliação, em que cada projecto é avaliado
tendo por base um conjunto uniforme de indicadores. Após este primeiro passo,
deverão ser confrontados os custos, benefícios e riscos de todos os projectos
eleitos (propostos, em desenvolvimento, em exploração, etc.) e elaborada a
sequência de prioridades. No final, a gestão de topo seleccionará os que
devem ser financiados, sendo estes que irão constituir o portfolio de projectos
a implementar.
A
fase de selecção assegura que a organização (1) selecciona os
projectos de TIs que melhor servem as necessidades da sua missão e (2)
identifica e analisa os riscos e benefícios de cada projecto antes de se
efectuarem quaisquer despesas com este. Um aspecto crítico desta fase é o de
garantir que a gestão de topo dispõe de informação fiável e atempada para
poder decidir com a convicção de que a sua decisão irá melhorar o desempenho
da organização.
Uma
vez seleccionados, todos os projectos do portfolio devem ser consistentemente
controlados e geridos. Relatórios de progresso em que a evolução de cada
projecto é comparada com o previamente estimado (custos, plano e benefícios)
devem ser elaborados frequentemente. A frequência da análise depende do risco,
complexidade e custo de cada projecto. Se um projecto se atrasa, ultrapassa
custos estimados, ou não atinge os benefícios pretendidos, deve ser avaliada
rapidamente a sua continuidade, modificação ou cancelamento, de forma a
mitigar riscos e custos.
A
fase de controlo assegura que, à medida que um projecto é realizado e
os investimentos aumentam, este continue a servir as necessidades do negócio e
que, em caso contrário, sejam tomadas muito rapidamente as melhores decisões.
Cancelar o projecto, modificar os seus requisitos, acelerar o seu
desenvolvimento, ou continuar como planeado, são as decisões desta fase.
Finalmente,
surge a fase de avaliação, quando os projectos estão completamente
implementados. Nesta fase, devem
ser comparados os resultados reais com os esperados, de forma a (1) avaliar o
impacto do projecto nos níveis de desempenho da organização, (2) identificar
quaisquer modificações ao projectos que sejam necessárias realizar e (3)
efectuar a revisão do processo de gestão de investimentos com base nas lições
aprendidas.
Ainda
que esta reforma possa não contar com o apoio expresso de muitas
entidades, pois a sua prestação é avaliada, coisa a que poucos estão
habituados e ainda menos toleram, ela é absolutamente fundamental para a
melhoria da competitividade do País. É preciso pois, iniciar a sua implementação
o mais rapidamente possível, caso contrário...
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