Gestão
Electrónica de Documentos
in
Semanário Económico, nº 819, 20 de Setembro de 2002
As
regras de autenticação e arquivo para documentos em papel, não estão a ser
adaptadas à documentação electrónica.
Como
sabemos, a crescente penetração das tecnologias de informação nas empresas e
nos serviços públicos, tem feito elevar, substancialmente, o volume de
documentação criada e transmitida por meios electrónicos entre os vários
agentes económicos.
Esta
documentação, sendo inicialmente criada por via electrónica, deverá
permanecer neste formato durante toda a sua vida útil. Acontece que, neste
momento, as regras de autenticação e arquivo, largamente usadas e aceites para
os documentos em papel, não estão a ser adaptadas nem normalizadas tendo em
atenção este novo tipo de documentação. Hoje, corre-se o risco de se
perderem, ou poderem ficar inacessíveis, documentos de grande valor para as
organizações. É frequente acontecer que documentos de importância
fundamental, serem inadvertidamente destruídos ou misturados com uma amálgama
de outra informação sem importância, perdendo-se o seu rasto por completo.
Quando
uma organização cresce, e aumenta significativamente a produção de documentação
electrónica, esta documentação começa a espalhar-se por vários
computadores, tornando o seu controlo e acesso cada vez mais difícil. Esta
situação, exige a criação de mecanismos de controlo que assegurem que a
informação está acessível a todos aqueles que dela precisam. Como,
actualmente, em qualquer organização existem vários suportes documentais, a
informação vital encontra-se espalhada e a sua gestão efectiva requer que
todos eles sejam geridos de forma coordenada e apropriada.
Os
sistemas de Gestão Electrónica de Documentos (GED), são muito mais que meros
sistemas de localização de ficheiros, pois têm capacidade para efectuar a
gestão de cada documento durante toda a sua vida útil, permitindo também
efectuar a sua re-classificação consoante modificações no seu valor para a
actividade da organização. Tal como existem procedimentos normalizados para o
tratamento de documentos em papel, também nestes sistemas é possível criar
normas que controlam qualquer documento electrónico, desde a sua criação à
sua destruição efectiva.
A
gestão deficiente de documentos electrónicos tem, geralmente, como consequência:
-
A
confusão entre diferentes versões do mesmo documento, ocasionada pela existência
de múltiplas cópias todas diferentes do documento final,
-
A
destruição ou perca de documentos que devem ser mantidos, porque não existe
um armazenamento centralizado (como existia para o papel) e o autor não tem
conhecimento do tempo de retenção legal desse documento,
-
Autenticidade
questionável, dada a possibilidade de manipulação electrónica do texto sem
deixar rasto,
-
A
perca do contexto do documento, que acontece, por exemplo, quando os documentos
correlacionados com este não estão a ele “linkados”,
-
A
perca de acessibilidade por mudanças tecnológicas, pois alterações no
software, no hardware ou nos “media” utilizados, podem tornar os
ficheiros inacessíveis.
Estas consequências representam um
grande desafio para a implementação de Sistemas de Gestão Electrónica de
Documentos. No entanto, hoje, já podemos melhorar o acesso aos documentos, e às
provas que nos defendem das responsabilidades assumidas, de uma forma mais rápida
e eficiente, como nunca antes foi possível.
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Os sistemas de Gestão Electrónica de
Documentos são muito mais que meros sistemas de localização de ficheiros |
A
implementação de um Sistema de Gestão Electrónica de Documentos, requer uma
abordagem metodológica em duas fases complementares. Na primeira fase, deve ser
iniciada uma revisão total à forma como os documentos estão a ser geridos,
analisando e documentando as práticas actuais (processos) e as necessidades
futuras. Como produto final desta fase deve ter-se conseguido desenvolver uma
estratégia de gestão documental para a organização. Na segunda fase, deve
ser construído um projecto de implementação dessa estratégia que, para além
da possível identificação, selecção e aquisição de um software de gestão
documental, coloque em funcionamento todos os procedimentos inerentes ao novo
modelo de gestão de documentos.
Qualquer
que seja a modelo adoptado, o Sistema de Gestão Electrónica de Documentos
deverá:
-
Fornecer
informação sobre o contexto dos documentos,
-
Fornecer
elementos que permitam provar a autenticidade dos documentos quando requerida a
sua evidência,
-
Ser
compatível com os procedimentos de arquivo existentes ou impostos por legislação
vigente,
-
Ser
robusto face às mudanças tecnológicas ou organizacionais,
-
Permitir
a ligação entre documentos electrónicos e em papel,
-
Conseguir
gerir documentos em diferentes estágios, mantendo os níveis de acessibilidade
exigidos pela política de segurança interna de cada organização.
A
compra e implementação de um Sistema de Gestão Electrónica de Documentos,
representa, necessariamente, a assunção de custos, quer via a aquisição de
um software, que via os serviços de implementação, quer pelo tempo necessário
à aprendizagem da nova forma de trabalho. Apesar de tudo, trás significativos
benefícios que podem representar vantagens competitivas decisivas na negociação
de contratos e no fecho de determinados negócios.
Os
principais benefícios de um moderno Sistema de Gestão Electrónica de Documentos,
advêm de:
-
Um
acesso mais fácil e mais rápido à informação, comparativamente ao papel,
-
Uma
fácil criação e utilização de “templates”,
-
Utilização
de documentos precedentes para re-uso com pouca alteração,
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Distribuição
fácil, rápida e a custos muito reduzidos de grandes quantidades de informação,
de grandes listas de distribuição e com dispersão geográfica longínqua,
-
Atendimento
por “hot-line”, já que passa a ser possível visualizar o mesmo documento
estando os interlocutores separados por uma linha telefónica,
-
Em
caso de desastre, uma recuperação muito rápida, através das metodologias de
“backup”, “disaster recovery” e centros de armazenamento de dados
fisicamente distantes,
-
Possibilidade
de utilização de “Data Centers”, com o objectivo de salvaguarda e/ou gestão,
-
Eliminação
efectiva de custos com espaço e pessoal para manuseamento e armazenagem.
Uma
gestão pouco cuidada de documentos electrónicos tem elevados custos imediatos,
mas também alguns que se prolongam substancialmente no tempo, como:
-
O
tempo perdido na procura de documentos electrónicos armazenados sem um
planeamento adequado para o seu fácil acesso futuro,
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A
impossibilidade de encontrar um documento que foi apagado por falta de uma
adequada política de preservação,
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O
tempo perdido por ter sido acedida uma versão desactualizada do documento;
problemas de responsabilidade jurídica ou imagem comercial negativa,
-
Os
custos de armazenamento por duplicação desnecessária do mesmo documento,
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Os
problemas legais por impossibilidade de acesso a documentos guardados em
sistemas obsoletos; ficheiros não migrados na altura própria,
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A
perca de negócio por incapacidade de acesso a informação vital,
-
A
perca de operacionalidade por incapacidade do sistema em disseminar informação
relevante por todos aqueles que a deviam receber,
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A
impossibilidade de cumprimento dos preceitos legais existentes ou que venham a
ser requeridos.
Como
vê, se ainda não pensou na implementação de um Sistema de Gestão Electrónica
de Documentos, porque não começar agora? Além de permitir guardar eficazmente
a sua informação electrónica ou em papel, a implementação deste Sistema será
um primeiro passo, mas importantíssimo, para o início da optimização do
conhecimento que a organização tem, mas muitas vezes nem sabe que tem.
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