ACTIVIDADES
E PROCESSOS
...da
Dinâmica Empresarial
in
Semanário Económico, nº 806, 21 de Junho de 2002
Muitas
vezes as empresas consideram-se invulneráveis e desenvolvem estratégias
de exploração da sua actual posição no mercado, mas...
Nos
últimos anos, temos assistido a grandes transformações no mundo do negócios.
Hoje, os clientes esperam adquirir produtos de alta qualidade e grande
funcionalidade a baixo preço. Estas expectativas são, não só consequência
do enorme progresso científico e técnico das últimas décadas, mas também da
existência de uma concorrência global que influencia cada empresa em cada
sector económico a adoptar uma estratégia de excelência empresarial se não
quiser ir à falência. A concorrência transforma ganhadores em perdedores.
Para
continuar concorrencial, é fundamental que cada empresa não se torne
complacente. Muitas vezes, consideram-se invulneráveis e desenvolvem estratégias
de exploração da sua actual posição no mercado. No entanto, uma vantagem não
dura para sempre. Qualquer tentativa para manter elevadas margens de lucro com
base em aumentos de preço, resulta necessariamente numa erosão da sua posição
no mercado. A razão para este facto, é que os principais factores que
influenciam os custos e o desempenho não são contemplados por esta estratégia.
À
medida que os produtos entram na fase de maturidade e aumenta o volume de
concorrência, os preços e as margens não podem senão diminuir. A introdução
de produtos novos e inovadores pelos concorrentes, coloca uma pressão crescente
sobre a imagem de vantagem das empresas mais antigas no mercado, tornando o
factor preço cada vez mais importante na decisão de compra. Como consequência,
as empresas devem estar constantemente a procurar melhorar a funcionalidade dos
seus produtos, a aumentar a produtividade e a reduzir custos (esta solução
também se aplica a um país). Apesar de tudo, a maior parte ainda considera os
que os lucros actuais são a melhor medida do seu sucesso e não efectuam as
mudanças necessárias até ao momento em que a isso são obrigadas pela pressão
concorrencial. Quando se chega a
esta situação, já todos sabemos qual é a abordagem mais utilizada; congelamento
de admissões, eliminação das horas extraordinárias e dos aumentos de
salários, congelamento nas viagens consideradas não essenciais, reformas
antecipadas, cortes nos investimentos, em suma, redução de
tamanho (downsize).
Esta
abordagem pode resolver os problemas financeiros de curto prazo, mas no longo
prazo poderá afectar gravemente o desempenho da empresa e afastar clientes.
Nesta situação, surgem muitas vezes os casos em que a empresa perde para a
concorrência os seus melhores colaboradores. Ao mesmo tempo, pode acabar por
manter os que não geram tanto valor acrescentado, quer porque podem já não
ser os melhores, quer porque ficam assoberbados de trabalho, quer porque se
sentem completamente desmotivados. Nesta situação os colaboradores que ficam,
entram numa fase de protecção do emprego e acabam por tornar a organização
completamente avessa ao risco, às novas ideias, aos novos investimentos. A
empresa torna-se míope, não vê o futuro, só se preocupa com a sobrevivência,
só vive para o presente.
Em
vez de implementar estas soluções de contingência e necessariamente de curto
prazo, as empresas têm que preocupar-se com:
·
os seus problemas
fundamentais e eliminar custos de estrutura;
·
a definição dos seus
custos com base em produtos, actividades e processos;
e
·
com a possibilidade de
melhorar a sua eficiência no longo prazo.
A
chave da solução encontra-se na capacidade de gestão e efectiva redução da
carga de trabalho (e não só da força de trabalho), procurando optimizar-se a
eficiência das actividades necessárias à continuação da operação. É
essencial que cada empresa optimize, sistematicamente, a forma como produz,
vende, e gere as suas actividades e processos.
Todavia,
para que uma empresa se mantenha à frente da concorrência, é fundamental que
tenha informação que permita compreender quais os factores que pode
influenciar. A sua gestão deve colocar uma pressão acrescida sobre a organização
com o objectivo de medir as reduções de custos e os ganhos de produtividade.
Uma vigilância apertada é um factor crítico, pois é muito difícil recuperar
a competitividade após esta ter sido perdida. Não deve permitir-se que os
custos saiam da linha, nem um “bocadinho”.
Como
sabemos, uma das razões que pode levar à perda de competitividade de uma
empresa prende-se com o facto de a maior parte dos relatórios de suporte à
decisão que um gestor recebe, terem por base sistemas de custeio que distorcem
os preços dos produtos, e não revelam as oportunidades de melhoria da
produtividade. Muitos gestores tomam decisões sem um conhecimento apropriado
dos factos. Isto quer dizer, que empresas que disponham de informação
relevante e atempada apresentam uma grande vantagem competitiva sobre os seus
concorrentes.
Mas
a geração e manutenção de vantagens competitivas exige que as empresas sejam
capazes de fornecer respostas para as seguintes questões:
·
Quais os custos que influenciam os lucros provenientes de cada linha de
produtos ou de cada cliente?
·
Qual o comportamento dos custos de cada actividade, incluindo a
capacidade para a realizar?
·
Como é que o volume de produção pode modificar-se sem existirem alterações
nos custos?
·
Qual é o valor do desperdício associado a cada custo?
·
Qual a melhor prática para realizar cada actividade ou processo?
·
Como variam os custos administrativos com as flutuações no negócio?
·
Que custos podem ser evitados se o volume variar?
·
Como se comporta a actual estrutura de custos, a utilização de
capacidades, e o desempenho não financeiro da empresa, em relação ao dos seus
principais concorrentes?
·
Como é que menores custos podem ser “desenhados” e “embebidos”
nos actuais e nos novos produtos?
A
excelência empresarial é o resultado da integração de actividades em
processos de negócio que permitam a uma organização melhorar continuamente a
construção de produtos e serviços. Estes devem satisfazer os clientes actuais
e atrair novos clientes.
A
capacidade para atingir e sustentar a excelência empresarial, exige uma procura
continuada da melhoria da eficiência e da eficácia de todas as
actividades e processos de negócio de uma empresa. Esta busca permanente da
excelência gera uma dinâmica empresarial que permite manter a solidez do
alicerce competitivo da organização, renovando-a continuamente.
No
entanto, a maior parte das estruturas organizacionais em vigor nas empresas, não
permite uma operação em que os processos de negócio atravessem as suas
barreiras departamentais. A estrutura funcional entra directamente em conflito
com o conceito de empresa unificada ou integrada. Esta situação gera variados
problemas de interacção, dos quais o pior é a tendência que os vários
departamentos criam para concorrer entre eles, criando actividades duplicadas,
que aumentam os custos e reduzem a eficiência. Esta situação é tão mais
grave, quando é reconhecido que hoje um dos pilares da competitividade se
encontra na capacidade de colaboração. Se ainda não se consegue colaborar com
“parceiros internos”, como e quando será possível colaborar com parceiros
externos?
Ainda
que esta visão empresarial já não seja nova, quantas empresas se baseiam na
melhoria contínua das suas actividades (com valor acrescentado) e processos
para re-estruturarem a forma como se organizam e trabalham? Quantas têm
sistemas de informação com capacidade para fornecer informação atempada
sobre a evolução das suas actividades e não sobre as suas funções de negócio?
Quantas consideram fundamental a implementação de um sistema de informação
que lhes mostre a realidade das suas actividades? Quantas têm consciência que
existem soluções informáticas, quer em “packages” integrados, quer em
softwares “best-of-breed” que podem permitir recolher, tratar e
disponibilizar informação sobre actividades e processos?
Ainda
que não queira parecer pessimista, não tenho encontrado muitas empresas que se
preocupam fortemente com a análise fidedigna do impacto da forma como trabalham
e das actividades que realizam na sua capacidade competitiva. Porquê?
Será,
porque até recentemente tudo se vendia, independentemente do seu custo? Ou será
que a maior parte dos executivos não conhecem a existência de produtos e soluções
aplicacionais que os podem ajudar a dar corpo a esta nova visão da
empresa?
A
correcta análise das actividades que uma empresa realiza permite à sua gestão
deter um conhecimento muito sólido sobre a forma como a organização trabalha.
Este conhecimento permite a tomada de decisões tácticas ou estratégicas muito
melhor sustentadas. A construção
de um sistema que recolha informação das actividades empresariais irá
permitir criar uma dinâmica empresarial muito mais objectiva, eficiente, eficaz
e geradora de efectivas vantagens competitivas para a empresa.
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