O HIPER-ESPAÇO DE NEGÓCIO
Quanto maior a capacidade de uma Sociedade para realizar trocas de bens e serviços,
maior a sua capacidade para gerar riqueza, e maior o bem estar geral das pessoas.
A troca depende, em larga medida, da capacidade de comunicação
existente entre duas entidades. Quanto mais e melhores forem as condições
disponíveis ao estabelecimento da comunicação, maior será o volume de
transacções gerado entre quaisquer duas entidades, pois melhor será a
capacidade de quem procura para apresentar os seus requisitos e melhor a
capacidade de quem oferece para entender as necessidades, motivações, desejos
e objectivos de quem procura.
Num mundo em permanente comunicação, trocam-se informações a velocidades
vertiginosas. Estas informações permitem a qualquer entidade elaborar a sua
visão da realidade. Se, para a sua sobrevivência, cada indivíduo dispõe de
cinco sentidos e um sistema nervoso central que lhe permite compor permanentemente imagens da
realidade, também
uma empresa tem necessidade de manter um sofisticado sistema de composição de
imagens sobre a sua realidade de negócio. Este sistema é designado por Sistema
de Informação.
Todas as empresas têm um Sistema de Informação. No entanto, nem todas
conseguem que este sistema capte, trate e forneça a informação procurada no
momento em que é necessária. Existem, portanto, muitas empresas
"cegas", incapazes de "sentir", "perceber" e
"actuar" sobre o seu Hiper-Espaço de Negócio. Muito do que fazem
baseia-se em verdades de mercado à muito desaparecidas e em processos de
negócio compostos por actividades que ninguém sabe para que servem e qual o
real valor do seu output.
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O Hiper-Espaço de Negócio de qualquer empresa é definido em
várias dimensões. Desde logo as Dimensões; Pessoas, Tecnologias e
Produtos,
que caracterizam o núcleo da Empresa. Sobre estas Dimensões fazem sentir-se
Forças, transmitidas por canais de comunicação que designamos por Processos
de Negócio. As Forças que fluem em cada Processo são passivas e activas. Às
Forças passivas chamamos Informações, às activas chamamos Decisões. As
primeiras são constantemente afectadas pelas segundas, e de tal forma que a
maior parte das empresas despendem um esforço significativo no controlo destas.
Este esforço pode ser positivo, "rotinando" as decisões num Processo
de Negócio de forma a torná-lo mais fluído e eficiente, mas também pode ser
bastante negativo ao impedir a criatividade e a optimização do próprio
Processo.
Mas o Hiper-Espaço de Negócio vai muito para além das
Dimensões Internas ou Nucleares, pois alarga-se nas Dimensões; Clientes (mais
Distribuidores e Consumidores), Fornecedores, Concorrentes, Potenciais
Concorrentes, Produtos Substitutos, Accionistas, Estado, Associações
Empresariais, Associações Ambientalistas, Comunidade Próxima e Economia
Global, designadas por Exteriores ou Atmosféricas. Tal como as Dimensões
Interiores também sobre as Dimensões Exteriores da empresa fazem sentir-se
Forças que reduzem ou alargam a Dimensão Global do seu Hiper-Espaço de
Negócio.
A maior parte dos Sistemas de Informação Empresarial foram
concebidos e implementados para optimizar os Processos de Negócio que
interligam as Dimensões Internas do Hiper-Espaço de Negócio das Empresas com
duas Dimensões Exteriores: Clientes e Fornecedores. É o caso dos designados
softwares ERP (Enterprise Resource Planning) cujo objectivo principal é prover
à optimização de processos de negócio através da eliminação progressiva
de actividades duplicadas com outputs idênticos. No entanto, o âmbito
funcional de um ERP vai muito para além da tentativa de automatização de
processos internos, pois através de um melhor controlo da qualidade da
informação recolhida, tratada e transmitida, tem um impacto directo sobre o
conhecimento que cada organização tem das Forças que a afectam, isto é, cada
empresa tem um melhor conhecimento de si, o que melhora significativamente a
capacidade e qualidade da Decisão. Esta deixa de ter só informação como base
e passa a ter conhecimento. Um ERP aumenta o conhecimento que cada organização
tem de si própria e do seu relacionamento com Clientes e Fornecedores. No
entanto, e em muitos casos é ainda uma entidade sobre o estrito controlo da
empresa.
No passado, poderia dizer-se que não era muito importante o
conhecimento das Forças que fazem sentir-se sobre a maior parte das Dimensões
do Hiper-Espaço de Negócio. Excepto as Dimensões Internas, Clientes,
Fornecedores e, talvez, Estado, todas as outras eram consideradas pouco
importantes e não era reservada qualquer atenção à sistematização do seu
conhecimento. Mesmo no caso dos Concorrentes só os que se encontravam
fisicamente próximos mereciam atenção, os Potenciais Concorrentes nem eram
considerados. Os Accionistas eram Donos e estavam presentes no local de
trabalho, os Produtos Substitutos não eram introduzidos todos os dias, as
Associações Empresarias estavam no seu início, não existiam Associações
Ambientalistas, à Comunidade Próxima não era dada qualquer atenção e a
Economia Global não existia. Logo o Sistema de Informação Empresarial não
considerava estas Dimensões como importantes.
Hoje, contrariamente ao passado todas estas Dimensões são
importantes, sendo fundamental a manutenção de processos de negócio
eficientes em cada uma delas. Se os processos não forem eficientes, a
informação não "correrá" através deles, e as Decisões tomadas
nunca poderão ser eficazes. O problema principal é que o colapso de uma das
Dimensões poderá levar ao colapso de outras e resultar na implosão de todo o
Hiper-Espaço de Negócio da empresa. Como evitar esta situação?
Recentemente, surgiram os designados softwares CRM (Customer
Relationship Management), que permitem a cada empresa melhorar os processos de
negócio nas Dimensões Clientes (Distribuidores, Consumidores), Concorrentes,
Potenciais Concorrentes e Produtos Substitutos, através da introdução da
automatização e sistematização de processos na áreas funcionais de
Marketing, Automação da Força de Vendas, Call-Center e Serviço ao Cliente.
Estes sistemas potencializam um aumento de conhecimento significativo sobre as
Forças que afectam a Dimensão Clientes. Com estes sistemas a empresa ganha
Força e outra capacidade interventora numa Dimensão fundamental à sua
sobrevivência. Através do Marketing, além de identificar melhor os momentos
em que deve actuar, conhece melhor os resultados do impacto das suas actividades
nas Dimensões Clientes, Concorrentes, Potenciais Concorrentes e Produtos
Substitutos. Através da Automação da Força de Vendas, identifica, classifica
e transmite de uma forma mais rápida e eficiente toda a informação recolhida
pelos Vendedores, o que permite acelerar processos de produção, armazenagem e
entrega. Através da manutenção de um Call-Center activo, dinâmico e
estruturado, mantém activos os seus canais de comunicação com Clientes,
Distribuidores e Consumidores. E através de um excelente Serviço a Clientes
sistematiza e dá profundidade a uma Força fundamental à satisfação e à
recorrência da compra.
Também recentemente, começaram a aparecer os primeiros softwares
ISC (Integrated Supply Chain), que visam automatizar e alargar o âmbito
colaborativo entre várias entidades empresariais que estão integradas em
termos de processo produtivo, isto é, o produto fornecido por uma entidade e
matéria prima para o produto de outra. A optimização de processos, leva
directamente à redução de custos, e este facto permite aumentar os índices
competitivos de qualquer empresa. É pois, muito importante melhorar todas as
actividades que numa cadeia inter-organizacional permitam aumentar a eficiência
dos processos. A grande dificuldade de implementação destes softwares, não se
prende tanto com a parametrização do negócio de cada entidade, mas muito mais
com a necessidade de mudar o "mind-set" dos empresários. A
implementação deste tipo de softwares cria enorme um potencial de
colaboração inter-organizações, mas exige que estas estejam preparadas para
partilhar, e não só sistemas, mas também ideias, conhecimento, planeamento,
etc.
Estes três tipos de software, quando implementados e em
exploração corrente, permitem a obtenção de
significativos ganhos de eficiência e reduções de custos. No entanto, quantas
empresas podem dizer que os tem implementados, ou que ganharam muito com a sua
implementação?
Por outro lado, quantas empresas têm um verdadeiro Sistema de
Informação que lhes permita recolher informação, aumentar o conhecimento e
tomar decisões em todas as Dimensões do seu Hiper-Espaço de Negócio? Quantas
empresas desapareceram por não deterem um Sistema de Informação capaz de
responder às suas necessidades? Quantas empresas deixaram de existir após o
colapso de uma das suas Dimensões? Quantas empresas não conseguem realizar
transacções de forma eficiente por que lhes falta um Sistema de Informação
adequado às suas necessidades?
Estas são algumas das questões que devem ser respondidas tão
rapidamente quanto possível, pois o futuro de cada empresa passa muito pela
forma com "vê" o Mundo, mas também como o Mundo a "vê".
Lisboa, 27 de Dezembro de 2001
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