UM
POUCO DE HISTÓRIA
A introdução
de tecnologias informáticas na empresa iniciou-se nos anos cinquenta do século
XX. Desde essa época que as novas tecnologias permitiram aumentar continuamente
a produtividade do trabalho e deram significativas vantagens competitivas às
empresas que melhor as souberam aproveitar.
Durante
todo este processo, também o próprio trabalho sofreu uma grande evolução.
Com a inovação continua das tecnologias, passou a ser necessário manter o
mesmo ritmo de actualização dos conhecimentos dos seus utilizadores. Sem este
investimento em formação passou a não ser possível manter de forma
sustentada os ganhos de produtividade e assim assegurar a sobrevivência e
desenvolvimento da empresa. A formação contínua passou a ser prática usual. Surgiu
o “knowledge worker”.
Esta ligação
entre pessoas e tecnologias, não é nova, sempre existiu. O que é novidade é
o ritmo a que as tecnologias se tornam obsoletas. Este nunca foi maior.
Nos últimos
cinquenta anos deu-se um grande crescimento populacional, abriram-se novos
mercados, surgiram milhões de novas empresas, globalizou-se a concorrência,
aumentou exponencialmente o ritmo de introdução de novos produtos,
modificou-se o grau de exigência do consumidor, e cresceram em tamanho e
complexidade os processos que enquadram a operação de cada empresa.
O
“package” e o ERP (Enterprise Resource Planning)...
A
automatização do maior número possível de processos foi sempre um factor de
competitividade, ao permitir a redução de custos através da eliminação de
actividades com pouco ou nenhum valor acrescentado.
No início
da última década do século passado surgiu o conceito de “package” de
software e, já mais para o seu final, o de ERP (Enterprise Resource Planning).
São as primeiras grandes respostas da tecnologia informática às necessidades
de automatização, integração e optimização das empresas.
Anteriormente,
a maior parte da informatização tinha por base a realização de
desenvolvimentos nos sistemas de informação à medida do negócio de cada
empresa. Este negócio era compreendido como único, original e particular, nada
tendo a ver com o de outras empresas, mesmo do seu sector económico.
A solução
“package” integrado veio introduzir uma nova forma de as empresas verem os
sistemas de informação. Sendo, por definição, uma solução para muitos
casos, teve que introduzir um enorme rigor na execução dos processos, ao
identificar e potencializar as funcionalidades que unem todas as empresas,
reduzindo muito os investimentos necessários nas áreas funcionais comuns. Este
facto permitiu construir soluções mais estruturadas e menos onerosas, pois a
sua base de desenvolvimento passou pela busca das “best pratices” de cada
indústria ou serviço.
O
ISCM (Integrated Supply Chain Management)...
Mas, o
espaço em que se realiza o negócio da empresa é hoje muito vasto, polvilhado
de entidades, e todas elas muito interventoras no mercado. A colaboração de
negócio, mesmo entre empresas concorrentes, tornou-se um facto do dia a dia. O
alargamento dos processos de negócio a entidades externas passou a ser uma
preocupação de gestão. Compreende-se hoje que cada empresa encontra-se
inserida numa cadeia de fornecimento ou abastecimento, que deve ser eficiente
para todos os participantes ganharem com o facto. Quem ficar de fora arrisca-se
a não sobreviver, ao não conseguir optimizar a eficiência dos seus processos
e, por conseguinte, dos seus custos totais. Ainda antes da Internet e de se
falar em business-to-business (B2B), surgiu o conceito de ISCM (Integrated
Supply Chain Management), como resposta para elevar o nível de colaboração
inter-empresas.
O
CRM (Customer Relationship Management)...
Nos últimos
cinco anos, o aumento no volume da concorrência fez voltar a atenção da
empresa para a entidade cliente. Manter uma sólida base de clientes,
continuamente melhorada e renovada, é a razão de ser de cada negócio, mesmo
das empresas monopolistas. Surgiu o conceito CRM (Customer Relationship
Management) e com ele as novas tecnologias que tornam operacional a exploração
deste novo conceito.
A
BI (Business Intellingence) e o KM (Knowledge Management)...
Com o
crescente volume de informação que entra e sai diariamente de cada empresa,
começou a não ser fácil, nem rápido, tomar decisões “em tempo útil”.
Surgiu o conceito BI (Business Intelligence) associado a novas ferramentas de
gestão que procuram disponibilizar, de forma estruturada, a partir dos sistemas
transaccionais, ERP, ISC, e CRM, um conjunto de dados e indicadores de gestão
que aceleram e tornam mais fidedigno o processo de decisão.
Mais
recentemente, surgiu o conceito KM (Knowledge Management) como uma resposta para
as necessidades de estruturação da informação, mas também como uma primeira
tentativa de explorar, de forma sistemática, a base de conhecimento de cada
empresa sobre o seu negócio. Pretende-se que o próprio sistema “aprenda” e
venha a sugerir estratégias ou, numa primeira fase, linhas de acção que
contribuam para a evolução do negócio e que “aligeirem” o processo de
tomada de decisões.
A
colaboração Inter-Empresas...
São
muitos e novos os conceitos, são muitos os esforços efectuados para os
implementar e para os explorar eficientemente, são muito elevados os
investimentos já realizados, e muito maiores os que se avizinham. Além de ser
preciso escolher bem, é preciso implementar bem, e mais difícil ainda, é
preciso saber explorar todas as capacidades que as novas tecnologias nos
oferecem. É preciso integrar as pessoas com as tecnologias através da contínua
construção e inovação de processos de negócio intra e inter-empresas.
É
preciso converter Informação em Conhecimento, Conhecimento em Decisão e
Decisão em Negócio.
Lisboa, 15 de Setembro de 2001
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